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Urubus que espreitam nos escutem: aqui estamos e reparem pois poderíamos não estar, e dessa forma...tudo seria diferente!

Pensamentos

        Chamamos nosso teatro de “Celebração”. Em algum momento na construção de nosso grupo percebemos nas manifestações populares, nas rezadeiras, nas celebrações religiosas, nas manifestações religiosas, nos terreiros, nas danças orientais, um fenômeno que nos tocava e nos perguntávamos por que aquilo nos envolvia, era o resultado de uma série de perguntas que ainda fazemos para justificar algumas de nossas escolhas. Em alguns anos percebemos uma dramaturgia em nosso corpo, às vezes estranho à formação tradicional de atores, mas com capacidade criativa inerente. Percebemos que era possível celebrar o tema e não apenas interpretá-lo na dramaturgia da razão.
        Optamos ao longo do tempo em celebrar a relação entre platéia, artistas, obra, instante. Percebemos que é possível contar uma história pela lembrança, pela imagem, pelo cheiro, pela dança, pela comida, pela cachaça, pela sombra, pela escuridão, pela luz, pelo silêncio. Percebemos também que o público não precisa ser apenas observador, que é generoso ao nos dedicar algumas poucas horas para o efêmero, para o encontro. Encontramos nas tradições também a ideia de que nosso ofício é próxima a do artesão. Somos artesãos teatrais. Assim, como o alfaiate, como o chapeleiro que trabalham incansavelmente para produzir um belo chapéu, uma calça. Celebração, Antropologia, Observação, Simbolismos, efêmeros, Brincantes, Potências, Corpos, quedas são eixos de nosso teatro.
        Fazemos teatro por necessidade, e antes de tentar transformar o mundo tentamos transformar a nós mesmos. Temos por princípio a recusa e o que nos move ainda são recortes, imagens, pequenas fraturas, e a consciência de nosso “caminho”. Sabemos que arriscaremos para além do sucesso ou fracasso, e que seremos transformados de alguma forma. Sabemos que será um mergulho intenso, pois o que nos move são as mesmas questões que poderiam nos condenar à impotência criativa.

Quedas.. recusa... e Ofício....

em tempos difíceis... o melhor é não gritar tanto... melhor olhar para dentro e ver o que conseguimos de energia... de verdade... melhor é vasculhar os próprios rins e desinflamá-los.... olhar para as próprias mãos armadas e retirar das próprias mãos todo e qualquer objeto cortante... O triste é que as marcas de sapato em meu peito nos últimos tempos são de quem também sofre... de quem também luta por sobrevivência... novamente a memória me motiva a resistir... e me dá algum sopro de vida... quando vejo artistas atirando em artistas sinto que o poder corrupto conseguiu seu intento... sinto medo... sinto tristeza quando o ato de aparecer é mais potente que a atitude de existir... Lutamos tanto tempo para o teatro se tornar uma arma contra a injustiça... e o que vejo é o teatro armado contra si próprio... armas apontadas do lado oposto as que a guerrilha nos exige... mas ainda acredito... que haverão tempos de paz... que não retiraremos as poucas moedas dos bolsos de quem passa fome... que derrubaremos a casa do ESTADO e não do pequeno grupo que tenta sobreviver... que derrubaremos a casa da Intolerância... que derrubaremos a casa de quem impõe religião e sexualidade.... que derrubaremos a casa do ódio... que comeremos na mesma mesa... e cozinharemos na mesma cozinha... Eu ainda acredito!...Borandá!

Cleiton Pereira

em tempos difíceis... o melhor é não gritar tanto... melhor olhar para dentro e ver o que conseguimos de energia... de verdade... melhor é vasculhar os próprios rins e desinflamá-los.... olhar para as próprias mãos armadas e retirar das próprias mãos todo e qualquer objeto cortante... O triste é que as marcas de...

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